Vitória histórica reforça ambição dos Mambas: missão cumprida, mas o sonho continua

A histórica vitória de Moçambique frente ao Gabão, a primeira numa fase final do Campeonato Africano das Nações, continua a ecoar dentro e fora do balneário, assumindo-se como um marco desportivo e emocional para o país. No rescaldo do feito, o presidente da Federação Moçambicana de Futebol (FMF), Feizal Sidat, o seleccionador nacional, Chiquinho Conde, e o Homem do Jogo, Geny Catamo, partilharam leituras convergentes: orgulho pelo caminho percorrido, mas foco total no que ainda está por conquistar.



 

Falando à imprensa nacional, Feizal Sidat reconheceu que Moçambique cumpriu uma missão histórica, mas fez questão de sublinhar que esta vitória representa apenas uma batalha vencida, ainda que de enorme significado. Para o dirigente máximo do futebol moçambicano, o desafio agora é manter a humildade, a responsabilidade e o respeito pelos adversários, olhando com ambição para o que vem a seguir.

 

O presidente da FMF recordou que, ao longo de quase 50 anos, os Mambas foram sistematicamente rotulados como outsiders após cada sorteio do CAN. “Desta vez mostramos que somos uma grande equipa”, afirmou, destacando o valor simbólico da vitória sobre o Gabão, uma selecção melhor posicionada no ranking FIFA. Sidat sublinhou ainda que, mesmo na derrota frente à Costa do Marfim, Moçambique evidenciou o seu real valor competitivo, faltando apenas a eficácia no momento do golo.

 

No plano institucional, o dirigente revelou que está em curso o processo para o pagamento de um prémio de 150 mil meticais aos jogadores, valor que estava inicialmente previsto para ser liquidado em 90 dias. Face ao pedido do grupo, a FMF accionou os mecanismos necessários para que o pagamento possa ser efectuado de forma antecipada, reconhecendo o esforço e a importância do feito alcançado.

 

 

 

Já o seleccionador nacional, Chiquinho Conde, não escondeu a emoção ao classificar o triunfo como a concretização do maior objectivo imediato da equipa: vencer. Visivelmente orgulhoso, o técnico assumiu-se como “o homem mais feliz”, lembrando o seu percurso singular no futebol moçambicano e africano. Desde o primeiro jogador moçambicano a actuar legalmente no estrangeiro, à participação em três CAN enquanto treinador-adjunto de uma selecção africana, até agora conduzir Moçambique à sua primeira vitória na prova.

 

Chiquinho Conde destacou que este resultado não surge por acaso, mas como sequência de um processo, aprendizagem e crescimento. Reconheceu que, no passado recente, a falta de experiência pesou negativamente, mas acredita que o futuro é promissor. Apesar de admitir que a equipa podia ter marcado mais e sofrido menos, reforçou a convicção de que ainda há muito por acontecer, apontando desde já o jogo com os Camarões como “o mais importante”.

 

 

 

Por sua vez, Geny Catamo, eleito Homem do Jogo, preferiu repartir os méritos. Para o jovem internacional, o prémio individual reflecte o trabalho colectivo de todo o grupo. “Treinamos muito juntos, a pensar jogo a jogo”, afirmou, sublinhando que a equipa deve continuar a trabalhar com a mesma entrega, pois “mais coisas ainda virão”.

 

Geny deixou ainda uma mensagem clara ao país: continuar a acreditar nos Mambas, assegurando que o grupo dará o máximo nos desafios que se seguem.

Entre a satisfação pelo feito histórico e a ambição de ir mais longe, Moçambique vive um momento raro de afirmação no futebol africano - consciente de que a missão maior ainda está em curso.

 

FMF | Comunicação